Ideologia de 15 segundos

Estamos diante de uma sociedade que, naturalmente, evoluiu a sua forma de organização social e política.

A crítica que faço a essa formação, está relacionada a imagem do homem diante a sociedade em que vive, já que os que possuem maior "admiração" e "voz", são os que acumularam uma abundante quantidade de capital. Essa nova formação social, desponta a imagem de qualquer homem, que não tenha acumulado essa quantidade, e pouco importa as qualidades que vão além disso. Se essa pessoa é criativa, autêntica, sensível e solidária, diante os olhos sociais, o que importa são as marcas, joias, e bens patrimoniais que ela possui, sem isso, acabam por não ter voz.


Consequentemente, os poderesos, possuem maior alcance social, suas ideias são propagadas com maior facilidade através dos meios de comunicação e a elas, são dadas maior relevância e repercussão.


O que observo, diante da minha subjetividade, é a capacidade desses ícones, de propagarem informações infundadas e cheias de ideologias rasas. É perfeitamente compreensível que em um ambiente democrático, todos tenham espaço para discutir e formular suas opiniões sobre a sociedade em que vivemos, o problema surge quando isso é utilizado como ferramenta política para descaracterizar ideias que eles ao menos têm conhecimento para emitir posicionamento, mas mesmo assim o fazem.


Para compreender melhor esse comportamento social, fui atrás de entender como o conhecimento e ideologias são dadas. Diante do livro, o que é ideologia(Primeiros passos), de Marilena Chaui, me deparei com várias máximas, até os 20% lidos. Uma delas é, que o conhecimento liga-se à prática de domínio técnico sobre a natureza e sobre a sociedade.


Em outras palavras, o conhecimento sobre a sociedade é dado por um conjunto de fatores, para isso, um cientista social que leva a sério as análises perante o Estado em que vive, deixa de lado adjetivos ligados ao sujeito social, elimina todo elemento religioso e metafísico, e passa a realizar sua análise sobre as necessidades reais de uma classe ou comportamento social. Aos que não se atentam a esses detalhes, acabam por reproduzir conhecimentos infundados, sobras de ideias antigas, pré-cientificas, carregadas de preconceitos e prenoções inteiramente subjetivas, individuais, reproduzindo tradições sociais reacionárias.


O que mais me preocupa é que nós, como sociedade, estamos dando mais atenção a esses sub-formadores de opinião, ao invés de investirmos em ferramentas educacionais, que deem ao povo, instrumentos para evolução da práxis, trocando a mídia virulenta e as redes sociais ao seu redor, com seus influenciadores de 15 segundos, por livros e debates de ideias. Mas em pleno segundo turno de eleições, começo acreditar que esse desmonte em formações sociais preocupadas com o futuro da nação, é nada mais que um projeto e os que tentam pensar diferente, são calados.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Viçosa